sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Uma visão Filosófica e Social de Boruto: Naruto the Movie

Primeiramente, feliz 2017 e que seus caprichos sejam somente seus!

É legal informar que, exatamente em janeiro de 2016 eu fiz minha primeira postagem sobre semiótica aqui no blog, com uma visão filosófica e espiritualista de Madagascar, o que deu uma cara mais "Pessoal" ao Blog e iremos mais longe.

Nas festas de final de ano, tive a oportunidade de colocar em dia alguns animes que eu queria ver, entre eles, fazia um tempo que eu tinha o filme do Boruto salvo e como o Boruto ganhará anime em 2017, resolvi fazer uma Análise dos Simbolos que encontrei em Boruto: Naruto the Movie e o que podemos aprender com eles.


INFORMAÇÕES GERAIS DE BORUTO: NARUTO THE MOVIE


A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA EM NARUTO

Naruto sempre discute, por meio de seus muitos Personagens e suas histórias de Vida (não apenas os vilões, mas estes principalmente), a questão do trauma causado pela destruição de uma Família ou de Amores e como isso afeta a Vida dos personagens.

E você aí pensando que o anime era sobre Ninjas steampunk.

Agora pare e pense no assunto: Todos os vilões da franquia Naruto tiveram um trauma relacionado ao Amor ou a Família e isso (meio que) justifica sua atuação como Vilão FDP lá na frente:
  • Madara precisou lutar com seu melhor amigo para manter uma richa tradicional entre Clãs ninjas
  • Kabuto perdeu a Família e entrou cedo no Mundo Ninja como Espião e perdeu a identidade
  • Obito sempre lutou para ganhar aceitação do Mundo Ninja e viu o Amor de sua vida morrer nas mãos de seu rival, por causa desse mesmo Mundo Ninja
  • Nagato sempre viveu no meio da Guerra Ninja, perdendo amigos e família e usou seu Rinnegan para impor sua Ideologia
  • Uchiha Itachi foi forçado a se virar contra seu próprio Clã e matá-lo por completo, para evitar que este usurpasse o Poder da Vila Oculta da Folha
  • Uchiha Sasuke dispensa comentários
  • Orochimaru provavelmente perdeu os pais ainda criança e se virou sozinho (há um episódio onde Jiraya comenta que não sabe a dor de seu amigo, pois “seus pais ainda vivem”)
  • Danzou... .. bem, o Danzou seguia a filosofia de “Paz Armada”.
Aqui eu comentei de forma bem resumida, mas é bem por aí. Se você lembrou de outro ou achou algum erro, comenta lá embaixo.

Enfim, o que eu quero dizer é que Naruto sempre discute como pesa um evento traumático na hora de formar a personalidade de alguém. Poucos personagens conseguem se erguer por suas próprias forças e a Família sempre é um grande alicerçe. Isso fica muito evidente quando Naruto descobre que é filho de Minato (o Quarto Hokage) e Uzumaki Kushina (e, por consequência, descobre as origens do poderoso Clã Uzumaki). Também acontece com Sasuke quando este, finalmente, consegue um diálogo aberto com seu irmão Itachi, depois da luta contra Kabuto.

UMA CRÍTICA FILOSÓFICAEM BORUTO: NARUTO THE MOVIE

Pintura de Edipo Rei (Gustave Moreau)
Pintura de Edipo Rei (Gustave Moreau)
Da mesma forma que Naruto, Sasuke, Nagato e outros tantos, Boruto também tem sua personalidade moldada pela ausência da figura do Pai... pelo menos do Amor Paterno, já que Naruto ainda vive, mas é consumido totalmente pelo trabalho de gerenciar a Vila, por isso Boruto detesta o próprio Pai.

Poisé, FINALMENTE, Naruto é Hokage.

Aqui fica clara a referencia ao Mito de Édito... e eu enfatizo que trata-se de uma referência. Não é como se o Boruto faturasse a Hinata, mas o mote é o mesmo.

Pra quem não sabe, o mito conta que o pai de Édipo recebeu, do Oráculo de Delfos, uma profecia horrenda: Seu filho o destronaria e tomaria por esposa sua própria mãe. Sabendo disso, o cara tomou a providência que mais de 90% dos homens tomariam em seu lugar: Que se foda o pivete, eu quero é ficar bem.

O caso é que Édipo não morreu e cresceu como qualquer outro indivíduo daquele reino que detestava o Rei, pelas desgraças da cidade. Um dia, Edipo recebeu a mesma previsão de seu pai e, desconhecendo sua origem, procurou se afastar dos Pais (que eram adotivos, mas ele não sabia) e, durante uma viagem, mata o Rei (tudo sem saber que aquele era seu próprio Pai), toma a esposa do Rei considerado fraco e, sem saber, cumpre a profecia.

Daí aquela história do “Complexo de Édipo”, que é o cara que procura na Esposa (ou nas diabas que ele costuma ficar) características da própria Mãe.

O Complexo de Édipo se mostra em Boruto mostra muito quando procura saber com Sasuke (que se torna seu Mestre) as fraquezas do Pai. Sasuke, que já é macaco velho e conhece o caminho das pedras, viu logo que Boruto era uma repetição dos problemas que ele e o Jinchuriki da Kiuby já enfrentaram.

Um cara talentoso que seria moldado por traumas que não receberiam qualquer assistência é a receita certa pro próximo vilão.

AS ROUPAS DOS PERSONAGENS COMO SIMBOLOS

Falando no Naruto, a roupa laranja dele é um Símbolo dessa união: Minato era conhecido como o “Relâmpago Amarelo” e Kushina tinha um apelido “Cabelo cor de tomate”, então dessa união (amarelo e vermelho) temos o Laranja, a cor das vestes do Naruto.

Boruto também terá em suas vestes um Símbolo bastante gritante. Em um dado momento, Boturo usará a antiga jaqueta do Naruto (aquela da série clássica, azul com laranja) e a bandana ninja do Sasuke (com o símbolo de Kohona riscado). Uma evidente referência de que Boruto é o Herdeiro do aprendizado dos dois Personagens: O Pai (Naruto) e o Mestre (Sasuke).

Boruto usando a jaqueta do Pai e a bandana de Sasuke
Da mesma forma, Sasuke carrega a bandana com o símbolo riscado de Kohona e a falta do braço também servem de Simbologia, pois são marcas que ele adquiriu durante uma vida de duro aprendizado. A bandana riscada mostra seu descontrole na adolescência e o braço perdido na luta contra Naruto no "Vale do Fim" também é consequência de sua rebeldia.

Aliás, a própria destruição do Vale do Fim e a mancha de sangue deixada pelos 2 personagens é um Símbolo de que o Fim não é perpétuo, sempre há a possibilidade de reconciliação.

Claro que você não precisa ter o braço amputado pra reatar uma amizade, mas é assim que a banda toca em Kohona.

CHOQUE DE GERAÇÕES EM BORUTO: NARUTO THE MOVIE

O anime Boruto: Naruto the Movie bate bem forte nessa tecla. Manter uma Sociedade não é uma receita de bolo, então o que funcionou na época do Hashirama, não quer dizer que vai funcionar na época do Boruto. Quando havia uma Guerra Ninja, ia todo mundo pra guerra (homens, mulheres, velhos e crianças), o Clã ligava o foda-se, a chibata começa e ganha quem não perde.

Hashirama (o primeiro Hokage) lutou para fundar as Vilas Ocultas, para manter os indivíduos em segurança, além de dar-lhes algum treinamento. A geração de Naruto (fruto da geração de Hashirama) lutou para resgatar essa noção de coletividade, além de unir as Vilas Ocultas pelo Amor e pela Amizade (elas interagiam mais para brigar e pilhar do que para ajudar). Já na geração de Boruto, manteremos essa questão do trauma familiar, mas agregaremos um outro fator: O choque de intenções entre Gerações.

Já de cara temos o fator Tecnologoa, algo um tanto distante do ambiente que temos em Naruto. O aparelho capaz de selar Jutsus (me surpreendeu que o bicho sela até o Rasengan) mostra uma Juventude imediatista e questionadora dos métodos tradicionais, algo não muito diferente do que temos por aqui.

Pra que sofrer feito jumento no asfalto quente, se até um filho da  puta daquele Cientista faz um Rasengan?!

O QUESTIONAR DA TRADIÇÃO

Outra coisa que é interessante é, como já falei da crítica aos traumas familiares, o pequeno Boruto enfrenta uma realidade semelhante, apesar de seus pais estarem vivos (Naruto e Hinata), mas Naruto é igualmente ausente na vida do pimpolho por causa do trabalho.

Uma boa e oportuna crítica ao estilo japa de trabalhar até a exaustão e deixar a família de molho.

A projeção social no anime ainda é discutida quando Boruto decide não trabalhar para se tornar Hokage, algo totalmente contrário ao que aconteceu com seu pai. Boruto ainda não se conhece por completo e precisa de tempo para decidir o que quer da Vida e encontrará “seu próprio jeito Ninja”.
--------------------------------------------------------------
Poisé, espero que vocês tenham gostado, da mesma forma da outra postagem, esta ficou bem longa e cansativa, mas penso que vale a pena conferir e aproveitar essa linha de raciocínio.

Qualquer coisa, deixem comentários, abraço!

Nenhum comentário:

Postar um comentário