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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Autor de My Hero Academia se desculpa por referência à crime de guerra

Maruta Shiga Anime

Quem acompanha o anime My Hero Academia, viu toda a repercussão envolvendo o personagem que apareceu no capítulo 259 publicado recentemente.

A coisa toda rolou por conta do nome do personagem, que é um vilão (da Liga dos Vilões) cujo nome é Maruta Shiga, um nome que remete, diretamente a um assunto que, até hoje, causa bastante polêmica entre o Japão e seus desafetos em tempos de Segunda Guerra Mundial.

Um tema relativamente recorrente nos mangás e animes.

A polêmica de My Hero Academia

O mangaká Kohei Horikoshi e revista semanal Shonen Jump (onde My Hero Academia é publicado), anunciaram a mudança do nome de um personagem que causou grande desconforto... pra dizer o mínimo.

O anúncio do nome Shiga Maruta, no capítulo 259 do mangá trouxe lembranças problemáticas sobre crimes de guerra envolvendo o Japão. O termo “Maruta” foi usado pelos japoneses, de forma pejorativa, para indicar vítimas usadas de forma desumana em experimentos humanos durante a Segunda Guerra Mundial.

O que o personagem tem a ver com isso, pequeno gafanhoto?!

Simples: O personagem é um cientista que faz experiências com pessoas (no caso, heróis da história do mangá) e faz referência a crimes de guerra sobre experiências com seres humanos.
Shiga Maruta mangá

Shonen Jump e Horikoshi pedem desculpas

Recentemente houve um pedido formal de desculpas vindo do Twitter do mangaká Kohei Horikoshi.  Subiram várias hashtag sobre o assunto e, até então, Horikoshi ainda não havia pedido desculpas diretamente (apenas dizia que não teve intenções de causar problemas).



Negacionismo histórico

Sendo um Historiador, eu fui atrás de saber as motivações do assunto e, infelizmente, por mais que tenhamos essa paixão pela bagagem Otaku e tal, há uma atmosfera de negacionismo muito forte no Japão.

A questão é que Japão e China tiveram muitos atritros durante a Segunda Guerra e repercussão negativa do nome, que faz referência aos crimes cometidos pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial. A polêmica levou ao banimento de vários derivados da franquia na China.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Hadashi no Gen e a Bomba Atômica no Japão

No dia 06 de Agosto de 2015 completaram 70 anos do lançamento da Bomba Atômica na cidade de Hiroshima (Japão). O ataque contra os civis por parte dos Estados Unidos praticamente matou um incontável número de habitantes da cidade.

Terrorismo?! Pode ser... mas você não me viu dizer isso.

As Artes Visuais sempre tentaram dramatizar eventos horrendos como Guerras, Massacres, Regimes que castigavam o povão e por aí vai.  Alguns exemplos disso são Dampierre (do belga Yves Swolfs - sobre Revolução Francesa, Napoleão e a Comuna de París),Versailles no Bara (da japonesa Riyoko Ikeda - sobre Revolução Francesa - mistura personagens fictícios com pesonagens reais), Maus - A História de um Sobrevivente (do estadunidense Art Spiegelman - sobre o Holocausto, representando os grupos étnicos antropomorficamente) e são apenas alguns exemplos.

Hoje falaremos um pouco sobre um dos tantos que a Arte tenta problematizar um momento históricamente traumático: A Segunda Guerra Mundial, mais precisamente o lançamento da Bomba Atômica na cidade de Hiroshima.

HADASHI NO GEN E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Hadashi no Gen é um mangá conhecido como Gen Pés Descalços aqui no Brasil, obra do mangaká Keiji Nakazawa. Hadashi no Gen rendeu aqui no Brasil a publicação de 4 volumes do mangá pela Conrad Editora entre 2000 e 2001. Posteriormente, o Título ganhou sua versão em anime e tem no Youtube, mas coloquei o vídeo aí pra você.

 

Tanto o mangá quanto o anime contam a história de Gen, um garoto que vivia em Hiroshima com sua família, como qualquer outro garoto de sua idade na época até que sua cidade foi atingida pela bomba. Os cidadãos seguiam com suas vidas, apesar da Segunda Grande Guerra que ainda rolava e o Japão negava rendição...

...e de repente são massacrados covardemente por uma bomba.

Você pode questionar que trata-se apenas de uma visão unilateral, afinal, o mangá mostra a visão dos japoneses sofrendo,  mas a história acaba problematizando alguns dos costumes japas que são passados nas escolas como "verdades eternas" como a própria negação da rendição do Japão (nem todoso os cidadãos aceitavam isso e eram hostilizados), a própria imagem do Kamikaze (significa "Vento Divino), onde muitos não queriam morrer e eram obrigados a agir dessa forma para atingir a vitória na Guerra.

Isso sem falar nas cenas de destruição, no sofrimento das pessoas que sobreviveram ao Ataque e vivem deformadas, cadáveres explodindo por conta do acúmulo de gases (sim, isso acontece), sobreviventes em pânico, entre outras coisas.

Cena do mangá Hadashi no Gen (Gen Pés Descalços no Brasil), publicação da Editora Conrad

Hadashi no Gen é autobiográfico

A riqueza de detalhes torna a história ainda mais comovente (como se acompanhar uma criança no meio de uma guerra quimica não fosse comovente demais). Tal riqueza se dá poisKeiji Nakazawa é sobrevivente do ataque contra Hiroshima. Tudo o que Gen e sua Familia sofreram foram eventos que realmente ocorreram.

A obra de Keiji Nakazawa foi publicada em todo o Mundo

Pelo que me consta, Hadashi no Gen foi publicado em todo o Mundo, inclusive nos EUA mantendo a postura de país atingido em área Civil durante a Segunda Guerra. Um mangá certamente louvável e que merece ser lido por todos, não apenas pelo conteúdo informativo e por amantes da Cultura Pop, mas pelo conteúdo contemplativo, de que pessoas sofreram por conta dos Governantes de sua época que pagaram pra ver e colocaram a vida dos cidadãos em risco.

Recomendado pelo Tio Bazuca.